Muitas marcas globais acompanham diariamente indicadores de vendas, conversão, abandono de carrinho e tráfego. Mas, nos bastidores, existe uma batalha silenciosa acontecendo: a disputa entre a evolução da tecnologia e a sofisticação dos cibercriminosos.
Nos últimos anos, a fraude digital mudou de patamar. Se antes o desafio era identificar documentos falsos ou tentativas básicas de invasão, agora estamos diante de uma realidade mais complexa. A inteligência artificial generativa permitiu o surgimento de golpes extremamente convincentes, capazes de reproduzir rostos, vozes e comportamentos humanos com um nível de precisão nunca visto.
Quando ver e ouvir já não basta
É nesse contexto que surgem os deepfakes. De forma simples, um deepfake é um conteúdo gerado ou manipulado por inteligência artificial para simular uma pessoa real. O que antes parecia um recurso restrito ao entretenimento se tornou uma ferramenta poderosa nas mãos de criminosos.
E o impacto já é visível. Segundo o relatório Identity Fraud Report 2025-2026, da Sumsub, as fraudes envolvendo deepfakes cresceram 126% no Brasil em 2025, e o país concentrou 39% de todos os casos detectados na América Latina. Enquanto isso, ataques mais sofisticados envolvendo inteligência artificial e identidades sintéticas cresceram 180% globalmente.
Ao mesmo tempo, um levantamento do Observatório Lupa mostrou que os conteúdos falsos produzidos com IA cresceram 308% entre 2024 e 2025. Estamos entrando em uma era em que imagem, vídeo e voz deixaram de ser provas definitivas de autenticidade.
Como os deepfakes já estão impactando o e-commerce
Hoje, há três frentes principais de risco. A primeira delas são os anúncios fraudulentos. Por exemplo, no ano passado, uma quadrilha utilizou deepfakes de celebridades para promover ofertas falsas e produtos inexistentes nas redes sociais, movimentando milhões de reais. O prejuízo não afeta apenas quem cai no golpe. Ele compromete a confiança do consumidor em campanhas digitais e prejudica a reputação de marcas legítimas.
A segunda frente está relacionada à fraude de identidade. Criminosos já utilizam rostos e vozes sintéticas para tentar burlar processos de cadastro, recuperação de contas, programas de fidelidade e concessão de crédito.
O problema é que muitos sistemas de validação foram projetados para um cenário que já não existe mais. Grande parte das soluções tradicionais foi desenvolvida para identificar fotos estáticas, vídeos gravados ou documentos adulterados. Porém, os deepfakes atuais conseguem reproduzir movimentos faciais, sincronização labial, expressões e até comportamentos que antes eram considerados sinais de autenticidade.
A terceira frente envolve os canais de atendimento ao cliente. Vozes geradas por inteligência artificial já estão sendo utilizadas para simular clientes, solicitar alterações cadastrais, recuperar acessos e obter informações sensíveis. Quanto mais digital se torna uma operação, mais importante é validar identidades para além daquilo que conseguimos ver ou ouvir.
Se a fraude evoluiu, a proteção também precisa evoluir
Hoje não estamos mais falando apenas de documentos falsificados. Em muitos casos, os criminosos manipulam o contexto inteiro da validação, alterando dados de dispositivos, fluxos de câmera e até informações utilizadas pelos sistemas de verificação.
Por isso, a discussão sobre segurança no e-commerce precisa amadurecer. Segurança deixou de ser apenas um mecanismo de proteção contra fraudes. Ela se tornou um fator de crescimento essencial para a proteção do negócio.
Dados da Serasa Experian mostram que o varejo online brasileiro registrou 2,3 milhões de tentativas de fraude em 2025, evitando aproximadamente R$ 2,4 bilhões em prejuízos. Esses números demonstram que proteger uma operação não significa apenas evitar perdas financeiras. Significa preservar a experiência do cliente, a reputação da marca e a confiança necessária para sustentar o crescimento digital.
Como as empresas podem se preparar
O primeiro passo é entender que a tecnologia utilizada pelos criminosos continuará evoluindo. Por isso, não existe uma solução única ou uma solução perfeita, e sim a solução que se encaixa para aquele cenário atual.
É fundamental combinar múltiplas camadas de proteção, incluindo biometria avançada, análise comportamental, inteligência antifraude, monitoramento de dispositivos, autenticação reforçada e mecanismos capazes de comprovar a presença real do usuário durante processos críticos. Mais do que validar uma imagem, será necessário validar a existência de uma pessoa real por trás dela. Além de monitoramentos contínuos em toda a cadeia da Deep Web e da Dark Web.
Mas tecnologia sozinha não resolve tudo. Governança, processos bem definidos e treinamento contínuo das equipes também são essenciais. Afinal, uma fraude sofisticada pode explorar tanto vulnerabilidades técnicas quanto falhas operacionais.
O futuro da confiança digital
A inteligência artificial continuará transformando o e-commerce. Ela trará mais eficiência, personalização e melhores experiências para consumidores. O desafio das empresas será aproveitar todo esse potencial sem abrir espaço para que a inovação seja utilizada contra elas.
Porque, na era dos deepfakes, a pergunta mais importante não é se uma imagem parece verdadeira, é se podemos confiar nela. E, cada vez mais, a confiança será um dos ativos mais valiosos para qualquer negócio digital. E se você busca ter ainda mais segurança no seu e-commerce, fale com o nosso time. Tenha especialistas ao seu lado nesse jornada.